DE MACURURÉ NA BAHIA PARA O MUNDO!

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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

CHORROCHÓ E O BALANÇAR DAS PERNAS

Não entendi o suficiente, ou entendi demais, porque surgiu uma tese filosófica em Chorrochó, segundo a qual os “Pacheco de Menezes” nunca mais ganharão eleição no município. Nunca mais é muito tempo, não é? Até as ditaduras caem quanto mais a alternância democrática de poder.

A professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes, atenta conhecedora da história local, historiadora de reconhecida competência, saiu em defesa da retro aludida família “Pacheco de Menezes”, com dois textos enxutos, concisos, explicativos. E indicou a origem da filosófica conversa: Barra do Tarrachil, simpático e hospitaleiro distrito chorrochoense que, em questões políticas - e certamente por méritos próprios - tem ficado por cima da carne seca há mais de uma década comparativamente à sede do município.  

Interessante é a razão apontada por aquela corrente tarrachiense para que os “Pacheco de Menezes” não ganhem mais eleições: vivem nas calçadas, balançado as pernas.

O quiproquó me fez lembrar a origem do nome de Canudos, segundo o repórter e escritor Euclides da Cunha: desocupados habitantes viviam bebendo aguardante e pitando esquisitos cachimbos de barro, em canudos de metro de extensão de tubos, naturalmente vicejantes à beira do Vaza-Barris. 

Todavia, os "Pacheco de Menezes" não são desocupados e não se ocupam apenas de balançar as pernas. Balançam-nas sempre, ao mesmo tempo em que educam seus filhos, constroem o idealismo de gerações, emanciparam Chorrochó e são exemplos de educadores, profissionais e filhos orgulhosos da terra chorrochoense, independentemente do povoado ou distrito onde nasceram.     
Acho fútil o motivo, mas vou meter o bedelho no assunto, embora não tenha sido chamado. Aliás, não fui chamado para dar palpite na política de Chorrochó, mas tenho feito meu papel de enxerido até, modestamente, com alguma frequência e uma boa dosagem de cara de pau.

Por conta desse meu enxeritismo, o pessoal da velha guarda local e também os mais atentos das gerações seguintes conhecem, sobejamente, minha opinião a respeito do estado politicamente apático dos Menezes durante alguns anos. 

Uma letargia que respeito, confesso. Mas esta é outra história.

Entretanto, quero dizer que sou de uma quadra do tempo, graças a Deus, em que ficávamos nas calçadas de Chorrochó balançando as pernas. E, confesso, que foi nesse tempo que se forjavam os melhores projetos em benefício do município. Muitas ideias nascidas ao balançar das pernas se tornaram perenes. Cito algumas, para não ser prolixo: as instituições que perduraram em Chorrochó até hoje foram idealizadas naquele tempo: comarca, colégio, escolas diversas, inclusive rurais, instalação dos serviços municipais, etc.  

O que veio depois foi mais simples e, precisou mais de recursos públicos oriundos do estado da Bahia e programas do governo da União Federal do que, propriamente, de ideias. Aliás, ideias de gestão pública têm sido escassas em Chorrochó.

Diferentemente daquele tempo, hoje o município tem quase tudo ao seu dispor. Basta um prefeito mais cobrador dos entes estaduais e federais do que, basicamente, administrador. O município recebe verbas e apoio de várias frentes, de quase todos os ministérios: Educação, Saúde, Cidades, Integração Regional, Desenvolvimento Social e Agrário, Exército, etc. E por falar em verba pública, cadê o esgotamento sanitário de Chorrochó que o ex-governador Jaques Wagner lançou a promessa, em discurso na sede do município, com direito a palanque e palmas? 

No tempo em que o balançar das pernas era mais frequente, o município contava apenas com a mísera quota do Fundo de Participação dos Municípios, sem os penduricalhos de hoje. E só. E funcionava, dentro da razoabilidade possível na ocasião. 

Todavia, minha sugestão é que essa corrente filosófica surgida em Barra do Tarrachil se preocupe mais com a convivência harmônica entre todos os munícipes – vitoriosos ou não nas urnas – e menos com o balançar das pernas dos “Pacheco de Menezes”. Eles vão balançar as pernas sempre, independentemente do olhar de cada um dos circustantes. Tem gente que balança as pernas, saudavelmente, há décadas e vive um século. Não faz mal. É o caso da professora Marieta Argentina de Menezes a quem presto hoje humilde homenagem.


FONTE: araujo-costa@uol.com.br


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