O Vaticano
devolveu, neste domingo (13) os direitos sacerdotais de Padre Cícero Romão
Batista. Considerado santo pelos nordestinos brasileiros, Padre Cícero tem,
agora, o marco zero para sua reconsideração, beatificação e posterior
santificação. O bispo diocesano de Crato, dom Fernando Panico, anunciou a
reconciliação durante a missa dominical na Catedral de Crato, cidade onde Padre
Cícero nasceu. O governador do Ceará, Camilo Santana (PT) comemorou por
meio de sua conta no Facebook. "Recebi com muita alegra a informação da
reconciliação da Igreja Católica com o querido Padre Cícero Romão Batista,
nosso Padim. A reconciliação é o primeiro passo para a reabilitação de Padre
Cícero na Igreja Católica após as punições impostas há mais de um século",
disse Camilo. Padre Cícero morreu sem conciliação com a Igreja após o caso
conhecido como "milagre da hóstia", no final do século XX. Segundo a
crença popular, a hóstia dada por padre Cícero virou sangue na boca de uma
beata, o que foi considerado pela instituição como uma interpretação equivocada
da Bíblia. Por conta dos "equívocos", ele foi afastado. O
Vaticano enviou uma carta à Diocese de Crato e aos romeiros de Juazeiro do
Norte, em nome do papa Francisco, reconhecendo a importância do padre para a evangelização.
"É inegável que o Padre Cícero Romão Batista no arco de sua existência
viveu uma fé simples, em sintonia com o seu povo e por isso mesmo desde o
início foi compreendido e amado por este mesmo povo"' destaca trecho da
carta do Vaticano. O processo de reabilitação demorou mais de dez anos. Um
dossiê de mais de dez volumes foi enviado para o Vaticano quando João Paulo II
ainda era papa.
Por Lauriberto Braga | Estadão Conteúdo


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