A companhia aérea
russa Kogalymia afirmou nesta segunda-feira que a queda do Airbus A321 na
Península do Sinai, no Egito, teria sido motivada por "ação externa",
embora autoridades russas tenham afirmado que ainda é "prematuro"
especular sobre as possíveis causas do desastre que não deixou sobreviventes.
A aeronave caiu no último sábado
logo após decolar do balneário Sharm El-Sheik, no Egito, com direção a São Petersburgo,
na Rússia. Todos os 224 passageiros morreram.
Durante entrevista a jornalistas em
Moscou nesta segunda-feira, o vice-diretor da companhia, que passou a operar
com o nome fantasia de Metrojet em 2012, descartou falha técnica ou erro humano
como causas do acidente.
"A única explicação razoável
para o avião ter se desintegrado no ar é um impacto específico, uma influência
puramente mecânica, física no aparelho", afirmou Alexander Smirnov.
Outro funcionário da companhia
aérea, no entanto, reconheceu que a cauda do avião já havia sofrido avarias em
2001 depois de decolar.
Mas ele disse que o defeito foi
reparado e não teria tido qualquer envolvimento no acidente.
Uma investigação conduzida por
especialistas em aviação usando dados das caixas-pretas ainda não foi
concluída.
Em uma entrevista a um canal de TV
russo, no entanto, o chefe da Agência Federal de Aviação do país, Aleksandr
Neradko, afirmou que ainda é prematuro especular sobre o que teria causado o
desastre.
"Essas discussões... não são
baseadas em fatos apropriados", disse Neradko.
Enquanto o mistério sobre o
acidente continua, conheça quatro principais teorias por trás da queda da
aeronave.
FALHA TÉCNICA?
O primeiro-ministro do Egito,
Sherif Ismail, afirmou que uma falha técnica teria sido a provável causa do
acidente, mas que caberia aos investigadores "comprovar ou não" a
tese.
Já o ministro da Aviação Civil do
país, Hossam Kamal, disse não haver sinais de problemas a bordo da aeronave,
contrariando relatos iniciais de que o piloto havia requisitado um pouso de
emergência após problemas técnicos.
Na Rússia, a mulher do copiloto do
avião, Sergei Trukhachev, afirmou à emissora local NTV que seu marido teria se
queixado da condição do avião pouco antes da decolagem. Segundo ela, durante
uma conversa por telefone, ele teria dito que a aeronave "deixava muito a
desejar".
A direção da
companhia aérea insiste, no entanto, que o avião de 18 anos estava em pleno
funcionamento.
Kamal disse não ter havido
"relatos de que o avião apresentava falhas, e as checagens feitas antes da
decolagem não revelaram nada de incomum".
Segundo o órgão de segurança aéreo
egípcio, o avião sofreu uma avaria na cauda ainda na pista quando aterrissava
em 2001, no Cairo. O problema levou três meses para ser resolvido.
O mesmo tipo de defeito provocou a
queda do voo 123, da Japan Airlines, em 1985, o pior acidente individual na
história da aviação mundial, quando 520 das 524 pessoas a bordo morreram.
Funcionários da Kogalymavia
disseram, contudo, que o avião foi completamente reparado depois do incidente
de 2011, e que o conserto não teve qualquer impacto na segurança do aparelho.
ERRO
HUMANO?
A companhia aérea informou que o
piloto –identificado como Valery Nemov– tinha mais de 12 mil horas de
experiência de voo, incluindo quase 4 mil horas em Airbus A321, e que não havia
razão para suspeitar que um "erro humano" tenha causado o desastre.
Mas as
caixas-pretas do avião –tanto o CVR (Cockpit Voice Recorder, ou Gravador de
Voz) quanto o FDR (de Flight Data Recorder, ou Gravador de Dados)– já foram
encontradas e devem fornecer mais detalhes aos investigadores sobre os últimos
minutos do avião.
A informação contida nelas também
permitirá deduzir se qualquer ação tomada pela tripulação provocou o acidente,
que aconteceu com o tempo bom.
MÍSSIL?
Especialistas em segurança
minimizaram a chance de que o avião tenha sido derrubado por jihadistas aliados
ao grupo autodenominado "Estado Islâmico", que são ativos na área da
Península do Sinai e reivindicaram a autoria do suposto atentado. A hipótese
está sendo investigada por autoridades russas, que estão neste momento
analisando os destroços da aeronave e o local da queda.
No
entanto, o avião estava viajando acima do alcance máximo dos mísseis terra-ar
que os jihadistas teriam. Este armamento é consideravelmente menos poderoso do
que o Buk (sistema de defesa antiaéreo) que derrubou o voo MH17 da Malaysia
Airlines na Ucrânia no ano passado.
Especialistas também
levantaram dúvidas sobre por que o braço do "EI" no Sinai correria o
risco de sofrer retaliação internacional pelo ataque quando seu objetivo é
derrubar primeiramente o Estado egípcio.
O correspondente de
segurança da BBC Frank Gardner diz que tanto a Rússia, que está lutando contra
o "EI" na Síria, quanto o Egito, que busca desesperadamente atrair
turistas devido à fragilidade da economia, esperam que o acidente não tenha
sido causado por ataque terrorista.
BOMBA A BORDO?
Uma análise das
caixas-pretas ajudará os investigadores a determinar o que causou a queda
abrupta do avião.
Nenhuma prova contundente surgiu
até agora sugerindo que uma bomba a bordo tenha provocado a tragédia.
Além disso, na hipótese de ter sido
um ataque suicida, não se sabe como o autor teria conseguido passar pelo forte
esquema de segurança do aeroporto de Sharm El-Sheikh.
No entanto, um especialista afirmou
à BBC que o estado dos destroços da aeronave indica que a possibilidade não
pode ser descartada.
"Informações iniciais indicam
que o avião se partiu em dois, o que não parece uma falha mecânica, mas talvez
uma explosão a bordo", afirmou Michael Clarke, diretor-geral do think tank britânico Royal United Services
Institute.
"Se tivesse de fazer uma
suposição, estaria muito mais propenso a pensar que a tragédia foi provocada
por uma bomba em vez de um míssil lançado do chão."
Especialistas em segurança reiteram
que essa hipótese só poderá ser completamente descartada após a análise
minuciosa dos destroços e do local da queda.
MSN






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