Por Redação
Bocão News (Twitter: @bocaonews)
Foi uma noite de tensão para os principais
executivos da OAS. Enquanto eram apurados os votos para presidente da
República, os dirigentes da empreiteira deixavam transparecer, em mensagens, a
ansiedade com o resultado.
"Informação de dentro do TSE: Aécio 5% na
frente", escreve um deles, às 19h24 daquele domingo. "FHC está
falando em vitória de Aécio. Pode ser boato, mas..."
Na resposta, Leo Pinheiro, então presidente da OAS,
solta: "Vamos ver!". Minutos depois, o alívio: "Dilminha
ganhou!!!!!", festejou Pinheiro.
Aos amigos, ele enviou uma imagem de uma represa
seca com uma placa: "Favor chorar aqui". Depois, uma foto de Aécio
vestindo a camisa do time baiano Vitória: "Já tá acostumado a ser
vice".
As dezenas de mensagens estão no inquérito que
investiga a OAS na Lava Jato. Aparecem entre informações coletadas na casa e
nos escritórios de Pinheiro, hoje réu sob acusação de corrupção em obras da
Petrobras. Ele está em prisão domiciliar.
Pinheiro e seus colegas foram atentos espectadores
do cenário político. Dono de uma rica agenda política, ele monitorava
pesquisas, tinha acesso a levantamentos exclusivos de partidos e desejava sorte
a políticos amigos, como o deputado federal Miro Teixeira (PROS-RJ).
Com frequência, repassava "boletins" de
"JW", alcunha de Jaques Wagner (PT), então governador baiano e hoje
ministro da Defesa.
Wagner agradece a ele quando seu candidato ao
governo, Rui Costa (PT), aparece à frente nas pesquisas: "Já era. Você
merece e contribuiu para isto". Costa foi eleito.
No dia seguinte à votação, Pinheiro brinca com um
colega. Envia uma imagem de um eleitor numa urna. Acima dele, a inscrição
"Este voto é um oferecimento de...", seguida de logos de
financiadores de campanha -OAS entre eles.
No segundo turno, a preocupação é com a
"Moça". Pinheiro e colegas avaliam que Aécio ia "dar
trabalho".
Eles demonstram pendor para a análise eleitoral:
"Dilma tem mais aderência e está captando mais lentamente o indeciso e
branco. Haja coração", escreve Pinheiro, em 15 de outubro. "Aécio
despencando! Boa notícia!", comemora outro executivo.
Dados econômicos no foco: "Desemprego em
baixa. Muito bom... Vai dar 10% na urna de diferença, no mínimo", escreve
o vice-presidente da OAS, Cesar Mata Pires Filho.
Com a iminente vitória de Dilma, um amigo de
Pinheiro faz piada: "Mais do que nunca Super Ministro da Infraestrutura,
Leozinho". Resposta do executivo: "rsrsrsrs".
Em junho, outras apreensões mostraram a intimidade
dos empreiteiros com o ex-presidente Lula, chamado de "Brahma" no
grupo.
Nas mensagens, os executivos baianos demonstram
desprezo por ACM Neto (DEM), prefeito de Salvador: "Grampinho
[apelido]" é criticado por seu "desespero" ao não conseguir
eleger Paulo Souto (DEM) governador.
"Pergunto-lhe: o que teremos que fazer para
fuder o Grampinho em 2016", escreve um executivo. "Vai ser fácil. Ele
será destruído por ele mesmo", responde Pinheiro.
Um terceiro executivo finaliza: "Concordo! Ele
não tem caráter e destila veneno. Não aprendeu a construir alianças, como
nós".
Apesar da torcida contra, a OAS doou R$ 8 milhões
para Aécio em 2014. Dilma recebeu R$ 20 milhões. Em 2012, ACM Neto nada
recebeu.


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