Redação
Por Helio Fialho (Blog Cada Minuto)
Crédito: Por Helio Fialho
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Ponte Propriá/Porto Real do Colégio
Ponte Propriá/Porto Real do Colégio
É gravíssima a situação
em que se encontra o rio São Francisco, conhecido carinhosamente pelos
moradores ribeirinhos como “Velho Chico”. O “rio da integração
nacional”, como também é conhecido, ao longo dos anos vem sendo agredido
barbaramente pelo homem civilizado, porém quem é considerado o inimigo
mortal mais impiedoso é a Companhia Hidrelétrica do São Francisco
(CHESF). A construção de barragens para garantir a geração de energia
elétrica para milhares de municípios é a principal causa do grande
desastre ambiental sofrido pelo rio que banha os estados de Minas
Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
Por motivo desta ambição
mercantilista, uma área drenada de aproximadamente 641.000 km² está
ameaçada de desaparecer nas próximas três décadas, segundo
pesquisadores. São exatamente cinco usinas hidrelétricas construídas ao
longo do rio: Três Marias (Minas Gerais), Sobradinho (Bahia), Itaparica
(Pernambuco), Paulo Afonso (Bahia), Xingó (Alagoas/Sergipe) e ainda
existe a pretensão de a CHESF construir no município de Pão de Açúcar,
no estado de Alagoas, a tão polêmica Barragem Traíras, o que será o tiro
de misericórdia no agonizante e combalido rio que um dia, devido a sua
imensidão e vigor, chegou a ser comparado ao mar pelos índios que
habitavam às margens do Opara (tão grande quanto o mar). A devastadora
agressão ambiental é tão impiedosa que em menos de 200 anos já foram
destruídas 96% das matas ciliares, isto é, só restam agora 4% da
vegetação que existia, segundo os pesquisadores.
O rio São Francisco
possui dois estirões navegáveis: o médio, com cerca de 1.371 quilômetros
de extensão, entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA) e Petrolina(PE) e o
baixo, com 208 quilômetros, entre Piranhas (AL) e a foz, no Oceano
Atlântico, porém nos próximos anos estes trechos navegáveis podem ser
considerados coisa do passado porque atualmente o grande assoreamento
está impedindo as embarcações de fazerem trajetos hidroviários que
antes eram realizados facilmente. Um exemplo dessa preocupante situação
são as balsas que fazem as travessias Pão de Açúcar/Niterói e
vice-versa. Para as embarcações não ficarem encalhada nos bancos de
areia ao longo do rio, elas tiveram que mudar o trajeto, gastando agora
mais tempo para perfazerem suas viagens.
Caminhões que
transportam botijões de gás butano e outras cargas pesadas estão
enfrentando dificuldades para atravessarem na balsa Niterói/Pão de
Açúcar, em razão de o rio estar com o leito muito raso. Se os caminhões
deixarem de atravessar na balsa e tiverem que atravessar pela ponte
Propriá/Colégio, não tenho dúvida que o preço do botijão de gás ficará
mais caro, pois o consumo de combustível será bem maior em razão de
ficar também maior a quilometragem percorrida para chegar a Pão de
Açúcar”, disse o empresário Marcos André.
E para agravar mais o
problema, no último dia 11, a Superintendência de Operação e Contrato de
Transmissão de Energia (SOC), enviou para as prefeituras ribeirinhas e
outros órgãos interessados, o FAX-SOC-009/2013, assinado pelo assessor
Nivaldo Nogueira Burgos, informando que em caráter emergencial haverá
redução da vazão em todo o vale à jasante das barragens de Sobradinho e
Xingó.
Segundo, ainda, este
documento, o armazenamento atual do Reservatório de Sobradinho é de
40,09%, isto é, a quantidade atual de água é menos da metade da sua
capacidade, o que representa uma ameaça de colapso na produção de
energia elétrica, obrigando a CHESF fazer a complementação da geração
hidráulica através da transferência de energia de outras regiões e o
acionamento de usinas térmicas situadas no Nordeste, para atender às
necessidades de energia elétrica da região e requisitos de usos
múltiplos da água na Bacia do rio São Francisco ao longo de 2013.
A redução da defluência
mínima de Sobradinho e Xingó de 1.300m³/s para 1.100m³/s foi decidida em
reunião realizada no dia 21 de março deste ano, da qual participaram
órgãos importantes como a ANA, MME, ANEEL, ONS, CHESF, IBAMA, ANTAQ,
CBHSF, dentre outros órgãos e entidades. E no último dia 1º de abril, o
IBAMA concedeu a Autorização Especial nº 01/2013, autorizando a redução
da vazão, cuja decisão foi apoiada pela Agência Nacional de Águas (ANA)
por meio da Resolução nº 443/2013.
A vida do rio está cada
vez mais ameaçada e para os moradores ribeirinhos a grande culpada é a
Companhia Hidrelétrica do São Francisco. Na opinião do engenheiro civil e
pecuarista ribeirinho José Antonio Gonçalves, é um crime o que a CHESF
vem fazendo com o rio São Francisco. “Sei que para eles água é sinônimo
de energia, pois esquecem que as pessoas que moram às margens do rio
também precisam e dependem da água do Velho Chico”, disse o pecuarista.
Segundo, ainda, o
engenheiro José Antonio Gonçalves, com a construção dessas barragens a
CHESF causou um prejuízo incalculável ao Velho Chico e às populações
ribeirinhas, pois foi a partir dessas construções que a grande produção
de arroz desapareceu, surgiu o assoreamento do rio e as espécies de
peixes desapareceram. “antigamente quando o rio enchia, tinha peixe em
abundância, a plantação de arroz era garantida e o desassoreamento
natural do leito do Velho Chico acontecia em razão das fortes
correntezas. Hoje só estamos vendo um grande rastro de destruição
causado pela CHESF. Esta Companhia tem uma dívida enorme para com as
populações que margeiam o rio, pois deixou muita gente trabalhadora
passando necessidade”, finalizou o engenheiro.
Três grandes sinais
anunciam a morte inexorável do Velho Chico. Seguindo o curso natural do
rio, destacamos: a proliferação de algas no fundo do rio, em Pão de
Açúcar, aumentando, assim, a quantidade carbono e a diminuição de
oxigênio na água, fator crucial para as poucas espécies ainda
existentes. O segundo sinal são os bancos de areia emergidos sob a ponte
da integração Propriá/Porto Real do Colégio, suficientes para uma
pessoa atravessar a pés enxutos de uma cidade para a outra.
Quando foi inaugurada,
em dezembro de 1972, pelo então Ministro dos Transportes, Mário
Andreazza, toda a estrutura desta ponte encontrava-se submersa numa
profundidade bastante considerável, onde jamais se imaginava o quadro
atual. E o terceiro é o desaparecimento do Povoado Cabeço, no município
de Brejo Grande, estado de Sergipe. O povoado chegou a ter 400
moradores e por causa da erosão marinha eles tiveram que ser
transferidos, sendo que as últimas famílias há quatorze anos foram
levadas para um assentamento. Na foz as marés empurram suas águas rio
acima porque o Velho Chico perdeu a sua força. E por causa da invasão
das marés muitas espécies antes só existentes no mar agora são
encontradas na águas do rio, principalmente na região do Baixo São
Francisco, como é o caso do siri, agulhinha, anchova, mexilhão e outras.
E diante de toda essa
catástrofe fluvial, um famigerado projeto está indo de vento em popa
para infernizar ainda mais a vida dos moradores ribeirinhos. Trata-se do
Projeto de Transposição das Águas do Rio São Francisco, orçado
inicialmente em 4,5 bilhões e depois este montante foi ampliado para 8,5
bilhões de reais. Ele se arrasta há cinco anos e até agora somente 40%
das obras foram concluídas, o que significa dizer que o TCU continuará a
encontrar irregularidades na aplicação desses recursos, pois existem
denúncias de superfaturamento de obras e da instalação de um propinoduto
objetivando calar a boca de muitos políticos inescrupulosos e de
grandes veículos de comunicação do País que apóiam este insano projeto.
Milhares de compartilhamentos em apoio ao Velho Chico
Chocado com a situação
triste situação em que se encontra o fragilizado e desrespeitado Velho
Chico, este blogueiro, que é também um filho das margens do rio, postou,
no último dia 1º de abril, no facebook, uma foto acompanhada de um
manifesto em defesa do rio São Francisco. O texto está fazendo tanto
sucesso que até às 21 horas e 10 minutos desta quarta-feira(17), já foi
compartilhado por 8.906 pessoas das diversas regiões do Brasil. A foto
mostra a ponte Propriá/Colégio com suas estruturas antes submersas e
agora descobertas e a situação crítica em que se encontra o nosso rio
São Francisco. O texto é a mais pura e verdadeira expressão de repúdio
deste blogueiro que concita os ribeirinhos a lutarem (armados, se
preciso for) em defesa da vida do Velho Chico. A foto à qual me refiro
está postada em destaque na matéria acima e o texto que este blogueiro
escreveu pode ser lido abaixo, na íntegra. E depois, caso o leitor
queira, também compartilhe no facebook deste blogueiro.
“O VELHO CHICO ESTÁ MORRENDO”
O rio São Francisco está
secando. A construção de barragens, o desmatamento e a ausência de
chuva na cabeceira do rio são as causas principais desta triste e
funesta realidade. O Velho Chico está agonizando e prestes a morrer. A
ponte que liga as cidades de Porto Real do Colégio (Alagoas) e Propriá
(Sergipe) encontra-se completamente descoberta e denuncia o sério
problema. A morte do rio significa que a nossa região será completamente
castigada e muitas vidas serão também ceifadas. Toda a população
ribeirinha e as populações dos municípios que são abastecidos com água
vinda diretamente do nosso rio passarão por momentos terríveis de
desolação. E mesmo diante de um quadro de extrema gravidade, o funesto
Projeto de Transposição das Águas do rio São Francisco continua sendo
executado. Tudo em nome da ambição insana de uma corrente de políticos
corruptos e inescrupulosos que só pensam em cifras e não enxergam a um
palmo a frente de seus narizes e, por isso, são incapazes de olhar para o
futuro dos moradores ribeirinhos. E por serem dotados de monstruosa
insensibilidade para com o rio da unidade nacional e seus moradores,
eles continuam a dar sustentação a um projeto que em todos os seus
aspectos representa a morte.
Sabemos através de reportagens que as futuras guerras entre as nações serão por causa da água, pois este líquido precioso está cada vez mais escasso no Planeta Terra.
Lamento profundamente a tolerância dos moradores ribeirinhos para com essa casta de irresponsáveis que quer destruir o bem mais importante dos ribeirinhos – o Velho Chico.
Bom mesmo seria que os moradores ribeirinhos, inspirados no imortalizado Antonio Conselheiro, se unissem e travassem uma luta armada em defesa da vida do Velho Chico. Destarte o povo seria ouvido e o nosso rio seria salvo. Chega de abuso de poder! Avante povo ribeirinho!!!
Sabemos através de reportagens que as futuras guerras entre as nações serão por causa da água, pois este líquido precioso está cada vez mais escasso no Planeta Terra.
Lamento profundamente a tolerância dos moradores ribeirinhos para com essa casta de irresponsáveis que quer destruir o bem mais importante dos ribeirinhos – o Velho Chico.
Bom mesmo seria que os moradores ribeirinhos, inspirados no imortalizado Antonio Conselheiro, se unissem e travassem uma luta armada em defesa da vida do Velho Chico. Destarte o povo seria ouvido e o nosso rio seria salvo. Chega de abuso de poder! Avante povo ribeirinho!!!
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