Para
especialistas, tristeza é normal em presos recém-encarcerados. Porém, oposição
vê “depressão” do petista como uma estratégia da defesa
Acostumado a estar rodeado por
grandes multidões, a ver seus discursos imponentes serem ouvidos por
milhares de pessoas e a ter uma agenda recheada de compromissões políticos, o
silêncio e o ócio têm sido os grandes inimigos do petista nesses primeiros
momentos de adaptação ao cárcere. Para as principais lideranças do partido
ouvidas pelo Metrópoles, a ficha do
ex-presidente da República está caindo e ele parece se recusar a continuar
lutando contra o fato de que está detido, sem data para sair da cadeia.
Até mesmo a demora para o primeiro
banho de sol não teria incomodado Lula. A presidente do Conselho da
Comunidade da Região Metropolitana de Curitiba, órgão da execução penal da
capital paranaense, Isabel Mendes, conta que o político não solicitou o
direito. Tanto que Lula só viu a luz do dia após estar sob a guarda da
Polícia Federal, nessa sexta-feira (13). Ele também ainda não pediu para
realizar seus exercícios físicos, pois estaria “impaciente e indisposto” para
tais atividades rotineiras.
Líder do PT no senado, Lindbergh Farias (RJ) é um
dos integrantes do partido temerosos de que a falta de ocupação do político
possa se transformar em uma depressão. Até por isso, apoiadores do
ex-presidente acampados próximo à PF de Curitiba desde a detenção de Lula resolveram, todos os dias, dar “bom dia” e “boa noite”
ao ex-presidente. Essa seria a forma encontrada por eles de
“prevenir” uma possível doença.
Até agora, segundo fontes ligadas à Polícia
Federal, o único momento no qual o petista sorriu foi ao saber da presença de
mais de 500 apoiadores nas cercanias da sede regional da PF e que eles não
pretendem sair da capital paranaense até o político estar livre. Nessa
quinta-feira (13/4), quando recebeu pela primeira vez a visita dos filhos Fabio
Luiz (o Lulinha), Luiz Cláudio e Lurian, além do neto Thiago, o ex-presidente
teria ficado constrangido e evitado sair da cela, apesar de contar com
permissão para isso.
Histórico de doenças
O discurso oficial do PT e da presidente da legenda, a senadora Gleisi Hoffmann, é de que Lula é “um homem forte” e não se abalará por motivo algum. No entanto, a idade do ex-presidente – ele completará 73 anos em outubro – e o histórico de problemas graves de saúde preocupam os mais próximos.
O discurso oficial do PT e da presidente da legenda, a senadora Gleisi Hoffmann, é de que Lula é “um homem forte” e não se abalará por motivo algum. No entanto, a idade do ex-presidente – ele completará 73 anos em outubro – e o histórico de problemas graves de saúde preocupam os mais próximos.
Ele é um idoso
que enfrentou um câncer grave na laringe e precisa de cuidados especiais"
governador
do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB)
Já para alguns parlamentares da oposição, a “depressão” de
Lula não passa de uma artimanha da defesa para “tentar tirar o
ex-presidente mais cedo da cadeia”. “A estratégia dele, até agora, foi mesmo
abusar de recursos para criar histórias. Para mim, não é depressão, é dor na
consciência mesmo”, disparou o senador Magno Malta (PR-ES). “Tomara que seja
dor de arrependimento pelo que ele fez com a nação”, completou. A opinião do
parlamentar foi compartilhada ainda por deputados e senadores do DEM, MDB e
PSDB.
Para advogados criminalistas
ouvidos pela reportagem, as duas coisas podem estar acontecendo. Segundo os
especialistas, é normal que as defesas se apropriem de estratégias e aumentem o
grau de doenças pré-existentes na tentativa de amenizar penas. No entanto,
pessoas que experimentaram de perto o poder teriam mais dificuldades para
se acostumarem com a prisão.
“O sistema criminal é cruel para o rico, para o
pobre, para o político, para o não político. O baque de estar preso é muito
forte, principalmente nos primeiros 15 dias. Uma pessoa que tem a liberdade
tolhida não sabe direito como se movimentar, como acordar, como dormir.
Normalmente, ela se sente meio para baixo mesmo”, afirmou o
criminalista Antônio Rodrigo Machado. “Ninguém fica igual depois de uma noite
na cadeia. Mas as pessoas costumam se adaptar logo à nova rotina, se
fortalecer”, concluiu.
Essa é apenas
a primeira semana de cumprimento de uma longa sentença. Pelo caso do triplex do
Guarujá (SP), Lula foi condenado a 12 anos e 1 mês de reclusão, em regime
inicialmente fechado, sob acusação de ter cometido dois crimes: lavagem de
dinheiro e corrupção.
METROPOLES



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