Três em cada dez aposentadorias por
invalidez são canceladas após perícia, segundo informou o Ministério do
Desenvolvimento Social.
DE 1º A 21 DE MARÇO, SEGUNDA
ETAPA DE PENTE-FINO DO GOVERNO, FORAM 69,7 MIL PERÍCIAS QUE RESULTARAM EM 19,4
MIL BENEFÍCIOS CORTADOS, DE ACORDO COM MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL.
De
1º a 21º de março, segunda etapa do
pente-fino do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), foram
feitas 69,7 mil perícias, com 19,4 mil benefícios cortados (28%).
Entre os motivos apontados pelo
ministério para o cancelamento dos benefícios estão indícios de irregularidades
(veja
alguns casos mais abaixo).
“Se multiplicam no país vários
exemplos de irregularidades, já que cerca de 28% dos benefícios já revisados
foram cancelados em função de pessoas estarem recebendo um benefício
indevidamente”, afirmou ao G1o
secretário-executivo do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame.
Na primeira etapa do pente-fino, de
agosto de 2016 a fevereiro de 2018, foram realizadas 10 mil perícias de
aposentadoria por invalidez, com 1,7 mil benefícios cancelados (17,3%) e 8,3
mil mantidos.
Na
aposentadoria por invalidez, passam pela avaliação médica beneficiários com
menos de 60 anos de idade que estão há dois anos ou mais sem realizar perícia.
Ficam de fora as pessoas com mais de 60 anos e quem tiver 55 anos com benefício
há pelo menos 15 anos.
Pente-fino
O pente-fino nos benefícios pagos
pelo INSS envolve as aposentadorias por
invalidez e os auxílios-doença.
O programa de revisão começou em agosto de 2016, e a segunda fase teve início
em 1º de março.
Quando a revisão foi anunciada, o
governo informou que o objetivo era “colocar uma tampa sobre os ralos que estão
abertos”, de forma a eliminar pagamentos a pessoas que não têm direito a
receber benefício.
Segundo o MDS, nesta nova etapa,
entre perícias de aposentadoria por invalidez e auxílio-doença, foram
realizados até a última quarta-feira (21) 103,2 mil exames, com 44,4 mil (43%)
benefícios cancelados.
A consulta é obrigatória e atesta se
permanece ou não o impedimento ao trabalho. Os convocados recebem uma carta enviada
pelo INSS. Depois de receber a notificação, o beneficiário tem até
cinco dias úteis para agendar a perícia pela Central de
Atendimento da Previdência Social, no telefone 135.
Se
a perícia não for agendada, o pagamento ficará suspenso até o convocado
regularizar a situação. A partir da suspensão, o beneficiário tem até
60 dias para marcar o exame. Se não procurar o INSS neste
prazo, o benefício será cancelado.
Para este ano, o MDS planeja 1,2 milhão de perícias.
INDÍCIOS DE IRREGULARIDADES
De acordo com o secretário-executivo
do MDS, Alberto Beltrame, surpreendeu a quantidade de indícios de
irregularidades nas aposentadorias por invalidez e nos auxílios-doença.
“Um segurado sofreu um acidente de
carro e precisou andar em cadeira de rodas por seis meses, mas obteve
aposentadoria por invalidez por decisão judicial por ser paraplégico há 10
anos. A perícia atestou que ele caminha normalmente”, exemplificou.
Segundo Beltrame, um outro segurado
recebeu o benefício porque seria cego, mas foi descoberto que ele renovou a
Carteira Nacional de Habilitação (CNH) recentemente.
“São casos
de cegos que têm carteira de motorista, estão dirigindo e recebem aposentadoria
por invalidez ou auxílio-doença. É um recurso que sai de forma indevida da
Previdência”, declarou.
Beltrame
relatou, ainda, o caso de um beneficiário aposentado por invalidez desde 2010
por ter dermatite.
AUXÍLIOS-DOENÇA
A segunda
etapa do pente-fino do INSS também abrange perícias em auxílios-doença. De 1º a
21 de março, segundo o MDS, foram cancelados 74,3% dos benefícios revisados (de
33,5 mil exames, 24,9 mil foram cortados).
Na
primeira etapa do pente-fino, de agosto de 2016 a fevereiro de 2018, foram
realizadas 253 mil perícias de auxílio-doença, com 202 mil (79,8%) benefícios
cancelados e 50,9 mil mantidos.
No caso
deste benefício, é convocado para a perícia quem recebe o benefício e há mais
de dois anos não passa pela revisão médica no INSS.
“O
processo de revisão gerou uma economia de R$ 5,8 bilhões. A previsão é de mais
R$ 10 bilhões em 2018. Em março, as perícias geraram uma economia de R$ 500
milhões só no auxílio-doença” – Alberto Beltrame
G1


Nenhum comentário:
Postar um comentário