quarta-feira, 14 de outubro de 2015
QUARENTA MUNICÍPIOS DO PIAUÍ TEM PESSOAS DOENTES POR COMEREM CARNE DE TATU, CONTRAÍRAM MICOSE PULMONAR
Um total de 40 municípios do Piauí já registrou mais
de 100 casos de micose pulmonar, transmitida por um fungo que reside no solo. O
fungo fica depositado no tatu, animal silvestre muito consumido e
comercializado e que, ao ser capturado por seres humanos, transmite a doença.
“Esses casos são uma mescla, entre
o manejo do tatu e escavação de poços tubulares”, explica Fabiano Pessoa,
médico veterinário e responsável pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres
(CETAS) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama).
No Piauí, é comum, sobretudo nas
estradas no Sul do Estado, o comércio ilegal de caças como o tatu e outros
animais silvestres. O manejo e consumo do animal, além de crime ambiental,
podem transmitir diversas doenças para os seres humanos.
O Ibama faz um alerta para que a
população não consuma carne de tatu, que pode provocar micose pulmonar e, de
acordo com pesquisas recentes nos Estados Unidos e Espírito Santo, no Brasil,
os bichos são depósitos de microbio transmissor da hanseníase.
Além disso, o tatu ainda é
reservatório da Doença de Chagas e de outras verminoses. No Piauí, ainda não há
registros comprovados de casos de hanseníase que tenham ligação com o manejo e
consumo do tatu.
Uma pesquisa desenvolvida nos
Estados Unidos, pelo pesquisador Richard W. Truman, comprovou que cerca de um
terço dos casos de hanseníase que aparecem a cada ano no país é resultado do
contato com tatus infectados. No Brasil, um estudo semelhante foi realizado no
Espírito Santo e mais de 90% dos casos analisados na rede hospitalar no Estado
estavam relacionados à manipulação do tatu.
O Ibama alerta ainda sobre a
existência de mais de 150 doenças que podem ser transmitidas de animais para
seres humanos e vice-versa, conhecidas como zoonoses. Pelo menos 70% das
doenças infecciosas, como gripe e Aids, podem ser transmitidas de animais para
humanos, mas no caso da hanseníase, um aspecto diferenciado é que a
transferência do bacilo pode se dá nas duas direções.
Esses animais, quando em seu
habitat natural, exercem papel importante no processo de manutenção do
equilíbrio ambiental, sendo pequenas as chances de transmissão de suas doenças
aos seres humanos. No entanto, quando adquirido do tráfico e levado as residências,
o risco de contaminação por inúmeros agentes infecciosos assume níveis
elevados, devido ao contato direto entre o ser humano e animal silvestre.
Desse total, a grande maioria é de
aves (84%), seguidos por répteis e mamíferos. Fabiano Pessoa explica que entre
as aves mais comuns estão os papagaios, periquitos, jandaia e pássaros de
canto. Entre os répteis, o jabuti é o mais comum e os macacos são os mamíferos
mais frequentemente capturados.
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