Garota teve seu cabelo roubado
Se você tem uma cabeleira de fazer inveja e alguém vier em sua direção com uma tesoura, fuja.
De acordo com comerciantes do ramo, os
casos de mulheres que são forçadas a entregar os cabelos a assaltantes
são mais comuns do que se imagina.
A “modalidade” de roubo ganhou
repercussão com o caso de uma estudante de 14 anos que teve a cabeleira
roubada por outra adolescente, 17 anos, em Mussurunga, como o CORREIO
mostrou nesta quarta. Segundo a família da vítima, a autora do crime já
tinha planos: fazer um megahair.
Poder revender a mercadoria roubada sem
ser descoberto é um dos motivos para o crescimento deste tipo de crime,
na opinião de quem trabalha com a venda (lícita) de cabelos. “Quando os
policiais vão descobrir, o cabelo já foi até vendido”, diz a gerente da
loja Madeixas Cabelos Naturais, Leona Santana.
“Clientes chegam aqui para comprar o
cabelo depois de passar por um assalto. Já teve uma até que foi
assaltada no Estádio de Pituaçu”, lembra Leona.
Na loja que ela gerencia, um megahair
custa, em média, R$ 700. Os mais longos podem variar de R$ 1 mil a R$
1,8 mil. “É um pouco caro para a realidade de algumas pessoas, então, às
vezes eles (os assaltantes) já têm clientes certas para vender”.
Loiras naturais devem tomar ainda mais
cuidado. Para ter o cabelo com a cor menos comum, tem gente que paga até
R$ 3 mil. O mais popular, ainda assim, é o castanho cacheado. “É o mais
cobiçado, estilo Taís Araújo”, revelou Leona.
Medo
Foi justamente por ter cabelos cacheados
que a operadora de caixa Daiane dos Anjos, 27, foi mais uma vítima
deste tipo de crime, no ano passado. Dona de cachos castanhos que iam
até a metade das costas, ela foi surpreendida dentro de um ônibus que
pegou no Terminal da França.
“Eu estava dormindo, daí ele sentou no
banco atrás de mim e disse que era um assalto”, contou. Segundo Daiane, o
bandido mandou que ela descesse no ponto de ônibus seguinte.
Assustada e sem entender o que estava
acontecendo, a jovem obedeceu. Já na rua, o homem ordenou que ela
parasse de andar. “Achei que ia levar minha bolsa, mas ele veio, amarrou
meu cabelo e cortou”, lembra.
O homem não estava armado, mas ameaçou
Daiane. “Ele mandou eu ir embora andando, sem olhar para trás e disse
que tinha um amigo na esquina que me daria um tiro na cabeça se eu me
virasse”, conta Daiane.
Hoje, os cabelos naturais da operadora
vão até os ombros e ela usa megahair para aumentar o volume. “Foi
traumatizante. Não quero mais cabelo grande”, desabafa Daiane, que
chegou a registrar queixa na 11ª Delegacia, de Tancredo Neves.
Fonte: www.correio24horas.com.br
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