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quarta-feira, 30 de março de 2016

CASO BEATRIZ: CHAVES DESAPARECIDAS PODEM TER SIDO USADAS NO DIA DO CRIME

Portões da área da piscina podem ter servido como rota de fuga. Para a perícia, a menina não foi morta no local onde o corpo foi encontrado.
A Polícia Civil, que investiga o assassinato da menina Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, que foi morta a facadas durante uma festa no colégio Nossa Senhora Auxiliadora, no dia 10 de dezembro de 2015, acredita que a criança tenha sido morta a poucos metros do local onde o corpo foi encontrado. A informação foi repassada pelo delegado responsável pelo caso Marceone Ferreira e pelo perito chefe do Grupo Especializado em Perícias de Homicídios do Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoas (DHPP), Gilmário Lima.
Durante entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (29), o delegado Marceone Ferreira revelou que três chaves que dão acesso a portões do colégio, possívelmente utilizados no dia do homicidio, sumiram 10 dias antes do crime. As chaves teriam passado por um segurança e dois assistentes diciplinares, que ao final do dia registraram o caso. A polícia acredita que os suspeitos utilizaram as chaves para entrar e fugir da cena do crime.
Segundo informações da polícia, o colégio possui uma área de 20 mil metros quadrados, mas o crime deve ter ocorrido próximo à quadra, em uma área de 2.350 metros quadrados. Na região trabalhada como zonas prováveis para execução da criança, não há monitoramento por câmeras de segurança e o acesso poderia ter sido feito pelos portões que tiveram as três chaves desaparecidas 10 dias antes do crime.
“Se o corpo dela foi encontrado em um local, fizemos a rota de acesso e a rota de fuga. Alguém entrou e alguém saiu. Se não foi pelos acessos principais, então foi por onde? Foi nesse ponto que conseguimos chegar a essas três chaves que sumiram dias antes”, explicou Gilmário.
A área marcada em preto é considerada pela polícia como área de execução do crime (Foto: Divulgação/Polícia Civil)A área marcada em preto é considerada pela
polícia como área de execução do crime
(Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Devido as evidências encontradas, a polícia redirecionou as investigações para os prováveis locais onde a criança pode ter sido executada, já que a perícia aponta que o corpo foi colocado na sala e que o homicídio ocorreu em outro ponto.
“As lesões produzidas, o local do fato e o padrão de sangue que são incompatíveis em situações que utilizam faca. Em 99,99% dos casos, nesse tipo de ação, deveríamos encontrar outro tipo de cena. Tecnicamente deveriamos encontrar salpicos e gotejamento da própria faca", falou o perito.
De acordo com o especialista, a área foi estudada durante três semanas. "Usamos material, conhecido como luminol, luz forence, a melhor que nós temos e utilizamos outros equipamentos. Beatriz muito provalmente foi colocada lá. Se a gente for observar a cena por completo, é um local que possa ocultar o corpo e dê tempo de as coisas voltarem. Das pessoas voltarem para os seus lugares, ou fugirem”, ressaltou o períto. 
A tese de que o crime foi premeditado e de que os suspeitos conheciam o local do crime, também foi reforçada pelo perito. “O fato do corpo ter sido encontrado lá, leva a possibilidade do envolvimento de alguém que conhecia o local. Quem cometeu isso tinha acesso a informações, ou já tinha estado diversas vezes nesse local. Alguém tinha que conhecer essa sala, para adentrar nela, saber que tinha um armário, que podia ocultar um corpo, alguém conhecia”, enfatizou o perito.
Marca mostra como o corpo de Beatriz foi encontrado (Foto: Divulgação/Polícia Civil)Marca mostra como o corpo de Beatriz foi
encontrado (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Sobre o lugar exato onde aconteceu o crime, o perito disse que é um dado que ainda não pode revelar. “Existem algumas informações que não posso repassar. Posso adiantar para vocês que determinamos que ela não foi morta nesse local.  Todas as perícias foram realizadas em outros ambientes, temos perícias concluídas, mas não podemos adiantar essas informações. O que queremos é que chegue para nós essa informação.”
Questionado se em algum outro ambiente da escola foram encontrados vestígios de sangue, Lima se limitou a dizer que tinha essa informação, mas que não poderia revelar para não atrapalhar as investigações. Porém, ele afirmou que quem levou a menina já morta para a sala, não estava sujo de sangue.
“Quem colocou Beatriz aqui, não estava melado de sangue, porque não deixou sangue em nenhuma porta, em nenhum trajeto e principalmente no corredor que dá acesso ao portão, que é típico de ações desse tipo, de deixar gotas de sangue. O caminho que ele percorreu, não tinha vestígios de sangue. Isso deixa muito complexo, porque o mais fácil era executar a vítima nesse local. Podemos trabalhar com agentes que executam e agentes que transportam a menina. Quem executou a criança pode ter trocado de roupa”, pontuou.
Rota de fuga
A polícia acredita ainda que os portões que dão acesso à área da piscina e à rua, podem ter sido usados no dia do crime. "As três chaves que sumiram fecham uma triangulação perfeita para a rota de entrada e fuga de suspeitos”, destacou Ferreira.
Portões que tiveram as chaves desaparecidas dias antes do crime (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
A polícia também trabalha com a possibilidade de que mais de uma pessoa tenha assassinado a criança. “Pelas lesões, são lesões concentradas e que também podem ser de um agressor ou mais de um agressor, a gente também não descarta isso, devido a complexidade do caso. O fato de ter sido encontrada só uma faca, não quer dizer que foi apenas um.”
As lesões são de uma brutalidade excessiva, que demonstram uma certa raiva.
Gilmário Lima, perito
Mesmo com os avanços nas investigações, a polícia ainda está trabalhando na motivação do crime. “Muito provalmente a ação foi premeditada e o alvo provalmente não era Beatriz, porque existe uma outra testemunha que foi abordada. As lesões são de uma brutalidade excessiva, que demonstram uma certa raiva. A faca estava junto da vítima, mas não podemos afirmar se foi deixada propositalmente ou se foi uma falha na execução”, concluiu.
Crime
Beatriz saiu de perto da mãe, Lúcia Mota, por volta das 22h08, quando pediu a mãe para ir até o bebedouro, localizado na parte inferior da arquibancada e não retornou mais. O corpo da menina foi encontrado por volta das 22h50, em uma sala de material esportivo que estava desativada, devido a um incêndio que ocorreu em outubro de 2015.
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