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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

CASO BEATRIZ MOTA: EX-FUNCIONÁRIO DO COLÉGIO MARIA AUXILIADORA VIRA ALVO DE COMENTÁRIOS NAS REDES SOCIAIS

Ex-funcionário de colégio onde Beatriz foi morta se diz “pressionado” e teme pela vida

Depois do músico Ney Alves, irmão do jogador Daniel Alves, ser confundido com o retrato falado do possível assassino da menina Beatriz Angélica Mota, de sete anos, um ex-funcionário do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora virou a nova vítima das redes sociais. A vida do assistente de direção de piscina, Adailton da Silva Paixão, 30 anos, transformou-se num pesadelo desde a última segunda-feira (22), dia em que a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) divulgou o retrato falado.

No dia seguinte, áudios divulgados pelo WhatsApp com depoimentos de uma suposta prima de Beatriz fazendo ilações de Adailton ao homem descrito por testemunhas se espalharam como rastilho de pólvora. Num dos áudios, a mulher lembra que ele foi demitido do colégio e chega a dizer que a polícia encontrou objetos relacionados a magia negra, sugerindo que a morte de Beatriz poderia estar ligada a um ritual de bruxaria em que outras pessoas também estariam envolvidas – inclusive o ex-funcionário do colégio.

“Pelo que está sendo divulgado no WhatsApp, parece que é uma parente da família que está divulgando certas informações do andamento do processo que correm em sigilo. Isso está trazendo um certo desconforto para mim e meus familiares, porque estou com medo que aconteça alguma coisa com meu filho, com meu pai, com minha mãe”, desabafou Adailton, em entrevista exclusiva ao Blog.

Ele disse ainda estranhar que o teor dos áudios tenha uma parente da menina como autora, já que numa das ouvidas pela qual foi convocado, conheceu os pais de Beatriz – Sandro Romilton e Lúcia Mota – na delegacia. “Em nenhum momento ela (Lúcia) se mostrou surpresa, achando que eu tivesse alguma coisa a ver”, relatou.

Mas o drama do ex-funcionário não para por aí. Adaílton revelou que vem sendo pressionado pela Polícia Civil a confessar algo que ele não tem como afirmar, devido ao fato de ter trabalhado na portaria do colégio, na noite do crime (10 de dezembro de 2015). Ele explicou que iria fazer outra função no evento, mas só trabalhou como porteiro porque um colega seu teria ficado impossibilitado. Mesmo assim, um dia antes da festa ele teria solicitado à direção do colégio o apoio de mais um colega, sendo atendido.

“Como a festa não tinha senhas, o que facilitaria nosso trabalho, tivemos todo o cuidado de observar quem estava entrando no local, e não tinha ninguém mal vestido ou de aparência suspeita, que chamasse a atenção. Eram mais de 2 mil pessoas”, assegurou.

Humilhação

Apesar disso, no último dos três depoimentos que prestou à polícia, na última terça (23), ele se sentiu “humilhado” porque diz ter sido obrigado a confessar detalhes do assassinato da menina. ‘Nas outras duas vezes não teve problemas porque fui com o advogado. Mas dessa última eles queriam que eu dissesse coisas que não sabia. Estou colaborando da melhor forma. Tudo o que eu sei já passei pra eles. Não posso inventar histórias. Me senti humilhado, não sei se as outras testemunhas estão passando pelo que passei”, afirmou.

Garantindo não ter o que temer, Adailton – que é baiano, mas mora em Petrolina há 23 anos – também questiona o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora por saber que a instituição teria informado que ele havia passado por uma capacitação junto com outros funcionários, feita por uma empresa de segurança da cidade, para exercer a função no dia da festa. “Eu, pelo menos, não recebi nenhum treinamento”, contou Adailton.

Ele conta que vem passando por momentos de muita angústia. No final de janeiro deste ano, ele foi demitido pela direção do colégio. Ainda assim, tem um filho estudando lá e não pretende tirá-lo. Mas atualmente Adailton não esconde sua apreensão, diante dos últimos acontecimentos. “Temo por minha família. Está muito complicado esse lado psicológico. Tenho procurado os amigos para me ajudar”, revelou.

Respostas

A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil, a qual por meio de sua assessoria ressaltou que os trabalhos de investigação vêm sendo feitos de forma minuciosa e idônea. “Mais de 80 pessoas já foram ouvidas e, assim como Adailton, tantas outras que se fizer necessário também serão”. A Polícia lembrou que o ex-funcionário já foi preso por porte de arma. Adailton disse que isso ocorreu em 2009 e já cumpriu sua pena. Segundo ele, à época uma pessoa o ameaçava de morte e essa foi a única forma que encontrou de se defender.

O gestor administrativo do colégio, Carlos André, informou que em festas como a Aula da Saudade, ocorrida no dia do crime, os funcionários são normalmente relocados para dar assistência. Ele negou, no entanto, a informação de Adailton de que a instituição tenha dito que ele tivesse recebido qualquer treinamento para a função.
Antônio Carlos Miranda por Carlos Britto 
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